quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CORRIDINHO (Adélia Prado)

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca no trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

3 comentários:

Luana Dalla disse...

deve ser por isso que meu amor não chega, deve ter perdido o trem...
rsrrs


=*

Tenorius disse...

=D
o meu tb
ahauhuahua

Júlia Marim Mitre disse...

o meu ta vindo de jegue...e acho q ele empacou no meio do caminho!!
uasdhsaudhuashdusah